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História do Hino Quão Bondoso Amigo É Cristo

Joseph Scriven: Tragédia, Consolo e Caridade


A vida e a dedicação filantrópica de Joseph Scriven, o autor do hino "Quão bondoso amigo é Cristo" (Hino 200 da Harpa Cristã), foram profundamente moldadas por duas grandes tragédias pessoais, ambas relacionadas a perdas amorosas.
A missão de Scriven de dedicar sua vida e dinheiro à caridade e ao consolo dos necessitados é um reflexo direto de como ele encontrou consolo perfeito em Jesus após esses eventos devastadores.
1. A Primeira Tragédia (A Morte da Primeira Noiva)
Joseph Scriven nasceu em 1819 na Irlanda. Aos 25 anos, estava de casamento marcado com uma jovem de boa educação.
• O Evento: Na véspera de seu casamento, sua noiva morreu afogada.
• O Impacto Espiritual: Essa notícia o deixou profundamente abalado. Embora professasse a fé cristã, ele nunca havia se convertido sinceramente. Em meio ao desespero, o rapaz "voltou-se totalmente para Jesus, entregando-lhe sua vida e encontrando nele consolo para o seu coração aflito".
• A Mudança de Caminho: Após essa conversão sincera, Scriven se associou aos irmãos de Plymouth e, em 1844, deixou a Irlanda para se mudar para o Canadá, por influência desses novos irmãos em Cristo.
2. A Segunda Tragédia (A Morte de Eliza Roach)
No Canadá, Joseph Scriven trabalhou como professor e tutor. Ele conheceu Eliza Roach, parente de uma família em que trabalhava, e se afeiçoou a ela, ficando noivos.
• O Evento: Outra tragédia sobreveio ao jovem professor irlandês quando sua noiva, Eliza Roach, foi acometida de uma pneumonia que se agravou rapidamente, levando-a à morte poucos dias antes do casamento.
• O Impacto Emocional e Espiritual: Impactado por essa segunda tragédia, Scriven entrou em profunda depressão. Ele só conseguiu sair desse estado após "novamente encontrar consolo perfeito na presença do amado Jesus, o amigo fiel".
3. A Dedicação Filantrópica
Após a morte de Eliza, Scriven tomou duas decisões radicais que definiram o resto de sua vida, na fase em que trabalhava gerenciando uma empresa de laticínios:
1. Não mais tentaria se casar.
2. Dedicaria sua vida e todo seu dinheiro para ajudar os pobres.
Este novo estilo de vida o fez ser conhecido pelo povo de Ontário como "o bom Samaritano". Ele dedicou-se a atos de caridade intensos:
• Pagava o aluguel de famílias despejadas.
• Distribuía o máximo de sua comida com os pobres.
• Dava roupas aos necessitados e tudo mais que lhe estivesse à mão.
• Sobretudo, dedicou-se a cuidar dos idosos de sua cidade, juntamente com os irmãos de Plymouth.
O próprio hino "Quão bondoso amigo é Cristo" nasceu dessa experiência de fé e consolo. Em 1855, quando Scriven estava doente e não podia viajar para visitar sua mãe também enferma na Irlanda, ele se lembrou de como Deus o havia consolado perfeitamente nos momentos mais tristes de sua vida (as tragédias). Ele escreveu a poesia, que anexou à sua carta, assegurando à mãe que Jesus, o amigo fiel, poderia confortá-la perfeitamente.

A História de Quão Bondoso Amigo é Cristo

A história do hino "Quão bondoso amigo é Cristo" (Hino 200 da Harpa Cristã, também conhecido como "O bondoso amigo") é um relato marcado por tragédias pessoais e fé inabalável, conforme detalhado nas fontes.
A seguir, apresentamos a compilação da história do hino, desde a vida do seu autor até a sua popularização mundial:
1. O Autor e Suas Tragédias
O hino foi composto por Joseph Medot Scriven, um filantropo cristão irlandês.
• Nascimento e Formação: Scriven nasceu em 10 de setembro de 1819, em Bambridge, Irlanda. Seus pais eram prósperos em Dublin, onde Joseph se formou em artes no famoso Trinity College.
• A Primeira Tragédia (Conversão): Aos 25 anos, Scriven estava prestes a se casar, mas na véspera de seu casamento, sua noiva morreu afogada. Essa notícia o abalou profundamente. Em meio ao desespero, o jovem, que até então apenas professava a fé cristã, converteu-se sinceramente, entregou sua vida a Jesus e encontrou Nele consolo. Após a conversão, ele se associou aos irmãos de Plymouth, um movimento anadenominacional que buscava viver a simplicidade do Evangelho.
• Mudança para o Canadá: Em 1844, sob influência de seus novos irmãos em Cristo, ele deixou a Irlanda e se mudou para o Canadá. Lá, trabalhou como professor em Woodstock e Brandford, e como tutor.
• A Segunda Tragédia: No Canadá, Scriven noivou-se com Eliza Roach, perto da região de Bewley. Contudo, Eliza foi acometida por uma pneumonia que se agravou rapidamente, levando-a à morte poucos dias antes do casamento.
• Decisões Radicais e Filantropia: Impactado por essa segunda perda, Scriven entrou em profunda depressão, da qual só conseguiu sair ao encontrar novamente consolo perfeito na presença de Jesus. Ele tomou duas decisões radicais: não tentaria mais se casar e dedicaria sua vida e dinheiro a ajudar os pobres. Ele gerenciou uma empresa de laticínios em Port Hope, Ontário, e tornou-se conhecido como o "Bom Samaritano". Ele pagava aluguéis, distribuía sua comida e roupas, e cuidava, sobretudo, dos idosos da cidade junto aos irmãos de Plymouth.
2. A Criação da Poesia (1855)
A história da composição do hino ocorre durante esta fase de dedicação à caridade, mais precisamente em 1855.
• O Motivo: Scriven recebeu uma carta de sua mãe, que ainda residia em Dublin, dizendo que estava muito enferma e se sentia só, sentindo muita falta do filho. Naquele momento, Scriven também estava doente e sem condições de enfrentar a longa viagem de navio até a Irlanda.
• A Inspiração: Ele orou a Deus e se lembrou de como Deus o havia consolado perfeitamente nos momentos mais tristes. Sentiu que deveria escrever uma carta à mãe, explicando a impossibilidade da viagem, mas, sobretudo, garantindo que ela não se preocupasse, pois Jesus, o amigo fiel, poderia confortá-la perfeitamente.
• O Poema: Ao final da carta, ele anexou uma poesia que Deus lhe deu naquele instante, expressando as verdades que aqueciam sua alma. O título original era "Orai sem cessar". As primeiras linhas dessa poesia são muito próximas da versão que viria a ser traduzida para o português: "que amigo temos em Jesus todos os nossos pecados e dores suportou que privilégio podermos levar tudo a Deus em oração".
3. Publicação e Composição da Melodia
Scriven fez uma cópia da poesia antes de enviá-la à mãe, mas nunca pensou em publicá-la.
• A Descoberta: Anos depois, enquanto estava hospedado na casa de seu amigo James Saville, este encontrou a poesia entre os papéis de Scriven. Saville perguntou quem havia escrito as belas palavras, ao que Scriven respondeu: "O senhor e eu a fizemos juntos". Scriven autorizou Saville a publicar o poema em um jornal da cidade.
• O Compositor: Ao ler a poesia no jornal, o famoso compositor Charles Crozat Converse sentiu-se tocado e foi diretamente ao piano para compor a melodia que é usada até hoje. Converse (nascido em 1834) estudou música na Europa e se formou em direito nos EUA em 1861.
• Publicação do Hino: Converse intitulou o hino de "Que amigo nós temos em Jesus". A obra foi publicada em 1869 na coletânea Asas de Prata (Silver Wings), que também incluía poemas de Scriven. Converse utilizava o pseudônimo Carl, razão pela qual a melodia é, às vezes, atribuída a esse nome.
4. Popularização
A popularização do hino de Scriven e Converse deve-se ao célebre cantor evangelista Ira D. Sankey.
• A Descoberta de Sankey: Sankey descobriu o hino em 1875, quando procurava uma última música para incluir no seu famoso hinário, o Hinário Evangélico de S. número um. Sankey escreveria mais tarde que este hino, o último a entrar no hinário, tornou-se o primeiro entre os favoritos.
5. Morte e Legado
Joseph Scriven continuou sua vida de caridade (serrava madeira para viúvas pobres e doentes que não podiam pagar).
• Morte: Scriven faleceu em 10 de agosto de 1886, aos 46 anos. Devido a muitas enfermidades, ele estava hospedado novamente na casa de James Saville, em Bewley. Delirando por causa da febre alta, ele saiu do quarto e caminhou até um ribeiro a apenas 30 metros da casa. Scriven foi encontrado morto, debruçado como se estivesse em oração, em um nível de água de apenas 15 cm de profundidade. A explicação mais provável é que ele tenha tropeçado devido ao delírio da febre e morrido afogado na água rasa. Assim como aconteceu com sua primeira noiva, a vida de Scriven foi "tragada pelas águas".
• Memorial: Um grande obelisco foi erguido no Canadá sobre o túmulo de Scriven. Nele, está escrito que o monumento foi erigido pelos amantes do seu hino, que é o seu melhor memorial.
• Alcance: O hino foi traduzido para mais de 20 países e é classificado por publicações norte-americanas especializadas como um dos 10 hinos mais conhecidos e amados de todos os tempos.
• Tradução para o Português: A versão que consta na Harpa Cristã (número 200) foi traduzida pelo missionário metodista Robert Haworth Moreton, que trabalhou por 43 anos em Portugal, sendo um dos pioneiros da Igreja Metodista naquele país.


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